Quando eu morrer, não digam que fui louca. Eu sei que sou, mas não gosto de admitir. Tampouco ousem me taxar de santa... isso seria a fala de um sacripanta!
E se eu morrer amanhã, dirão que eu sabia... mas nunca soube nada na vida, não tenham essa ilusão não sei nem os verdadeiros desejos do meu coração minh'alma é uma caminhante sem rumo pela vida...
Não digam nada, silenciem... é melhor. Enquanto aqui estive, oscilei entre dois extremos um anjo doce que colhia margaridas brancas, e uma bruxa monstruosa, de monstruosa carranca!
Ainda não sei qual fará a passagem... mas certamente, quando eu me for daqui, saberei. Talvez do alto de uma montanha, na relva verde poderei descansar meu corpo sofrido... e a alma.
Sinto-me tão fraca... perdi tantas batalhas... nem daria para apontar a mais cruel... Em compensação, mereceu moratória o meu coração e consegui, nem sei como, fazer muita gente rir...
Por isso, quando eu morrer (que não será amanhã ainda) lembrem-se de mim sorrindo, como eu gostava de me sentir. Os poemas chorosos que escrevi, deletem da mente não eram meus, verdadeiramente!...
Guardem só o canto dos passarinhos, o barulho da cascata as ondas do mar, a ressaca fazendo bravata... guardem também as gaivotas, minhas companheiras ao lado delas, eu adorava ver chegarem as traineiras...
E se quiserem guardar mais alguma coisa guardem a minha teimosia... por insistir que a vida tem uma única magia: